Sobre cérebros, hábitos e maçãs
Por que hábitos são tão importantes para mudanças de comportamentos e para a aprendizagem?
Hoje, há um grupo de neurocientistas que afirma que nós não agimos a partir de REAÇÕES ao ambiente, mas sim de PREVISÕES para cada contexto.
Como assim?
Imagine uma maçã bem suculenta, docinha e crocante. Imaginou?
O que você sentiu quando leu a frase acima? Se você já comeu maçãs antes, deve ter experimentado alguma coisa próxima das suas mordidas passadas na fruta.
Isso é a previsão atuando de forma inconsciente e automática no seu cérebro.
Agora pensa que você efetivamente comeu a maçã. Se o sabor, a consistência, enfim, a experiência, estiver próxima do que o seu cérebro previu, ele não vai precisar fazer muitos ajustes.
Em outras palavras, parte do que você sente não vem do “mundo real” — dos seus sentidos no momento em que come — mas das suas experiências passadas de comer maçãs!
Nosso cérebro faz previsões de maneira rápida e inconsciente. E estas previsões geram ações, tanto internas (batimento cardíaco, liberação de hormônios etc) quanto movimentos do nosso corpo.
Além disso, o cérebro está constantemente comparando as previsões (resultantes de experiências anteriores) com as informações do mundo trazidas pelos sentidos. Quando elas não batem, então você começa a aprender algo novo.
Mas, e os hábitos? Eles são importantes porque podem pouco a pouco mudar nossas experiências para certos contextos, influenciando as previsões do nosso cérebro.
Pense no seguinte: suas experiências do presente logo se tornam passado. Assim, se o cérebro busca suas vivências anteriores para prever e atuar no presente, quanto mais experiências você tiver em certo contexto, maiores as chances do cérebro atuar conforme o novo hábito.
Isso é uma grande simplificação de uma teoria muito mais complexa e um tanto contraintuitiva, mas que ajuda a compreender diversos aspectos da aprendizagem e do comportamento humanos.
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